Um dos meus prazeres morando nesse belo Vale-do-Itajaí é poder fazer passeios pelo nosso interior nos fins de semana. Tem sempre um detalhe, um lindo ribeirão, cachoeiras, uma casa enxaimel, uma igreja. Ah, numa destas igrejas eu parei para tirar umas fotos. E tinha um cemitério ao lado. Bom, já que eu estava lá, fui dar uma olhada. Não é turismo fúnebre não, como você pensou.
Os cemitérios contam sempre um pouco da nossa história e você já reparou naquele canto mais ao fundo? “Aquele”, mais antigo, abandonado… já olhou com um pouco mais atenção? Pois é, ali tem várias lápides, algumas caídas outras destruídas e até pichadas. As lápides por si só já contam a história, veja que interessante, ali tem uma onde a pessoa sepultada nasceu em 1890, tem outras bem antigas também. 1911, 1915, 1889 e por aí vai. Olhe com calma, até os caracteres e a “fonte” (rs) que foi usada não é mais comum. Ah, e os sobrenomes, você notou? Tem até aquele que aparece no nome de uma rua perto da sua casa.
Será que nossa sociedade está preservando isso como deveria? Com o tempo e as novas gerações talvez seja natural que os jázigos mais antigos comecem a ser esquecidos pelas famílias. Mas acredito que haja um grupo especial que não deveria ser esquecido, é o grupo daqueles primeiros moradores de um determinado local daquela “vila” que mais tarde se tornou um bairro e foi crescendo.
Muitos de nós chamamos esse grupo de “colonizadores”, eles aparecem muito em livros, são citados nas festas e em vários eventos culturais. Realmente eles viveram bem naquela época, entre aquele período que aparece entre a estrela e a cruz, escrito naquela pedra fria. Muito se enaltece essas pessoas e inclusive se constroem monumentos aos mais ilustres, mas será que não seria oportuno e até barato, manter a conservação daquilo que é importante e está desmoronando a nossa frente?
Visite o a parte antiga do cemitério do Centro de Indaial. Além dos jázigos estarem quase caindo pelo barranco, há até pichações nas lousas, um total descaso e desrespeito à memória dessas pessoas que já nos deixaram. Mas a “memória” poderia ficar. O Homem muitas vezes precisa do “material” para lembrar do espíritual. E o material está ruindo pelo tempo. Além disso, do ponto de vista arquitetônico, também são relíquias interessantes a serem preservadas.
Onde gostaria de chegar?
A exemplo de outra cidades, Indaial também deveria ter um plano de conservação. Veja bem, não é um plano de “reforma”, aquilo que é antigo deve continuar antigo e enferrujado, no máximo uma restauração de lápides quebradas, se é que isso é possivel. É preciso apenas uma revisão daquilo que está sendo levado embora pelas chuvas, caindo ou desmoronando seja consertado. Acredito que o custo para este tipo de serviço seja muito baixo, em relação a outras grandes obras.
Vejam por exemplo este artigo sobre Pomerode, que vai fazer de um antigo cemitério, um ponto turístico – O Cemitério dos Imigrantes. Idéia estranha? Claro que não! Parabéns a Pomerode, eles entendem de tudo que foi comentado acima. Não conheço muito dos cemitérios de Blumenau, mas sei que o Cemitério Luterano (perto da fonte luminosa) é um lugar de rara beleza. Muito bem cuidado, com suas relíquias bem preservadas, estão ali os restos de vários imigrantes e também do cientista Dr. Fritz Muller. Além disso, é um lugar muito calmo, com árvores e boa sombra. (nem vou entrar na questão das árvores… isso daria outro post).
Haverão sempre opiniões contrárias, dirão que há prioridades maiores (e com certeza há!), dirão que é mais importante cuidar dos vivos, mas o que é cuidar dos vivos senão preservar a memória daqueles com quem devemos aprender as lições do passado?

Muitas pessoas com quem converso não tem a mínima vontade de abrir um livro de história, preferem livros de romances, aventura ou ficção. Assim mesmo, convido a todos a experimentarem esse aqui: escrito por um jornalista (Laurentino Gomes), de maneira simples, direta e numa linguagem muito agradável e até com toques de humor.
Quer ver muitas fotos antigas e saber como era nossa cidade antigamente? 

